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Marido acusado de mandar matar ciclista e simular latrocínio enfrenta júri popular, em Goiânia
GLOBO - 05/12/2018
 O advogado Eduardo de Oliveira Francisco, de 34 anos, acusado de mandar matar a mulher ,a bancária Cibelle de Paula Silveira  , de 31 anos, enfrenta júri popular, nesta quarta-feira (5), em Goiânia. A vítima foi assassinada com um tiro na cabeça enquanto andava de bicicleta com o marido. Inicialmente, caso foi tratado como latrocínio, mas após laudos sofreu reviravolta e Eduardo de Oliveira Francisco foi indicado como mandante.

 

O júri do advogado começou na terça-feira, foi interrompido no início da noite e retomado por volta das 8h30 desta quarta-feira. Eduardo foi preso no último dia 9 de setembro, no apartamento em que morava, no Setor Celina Park, em Goiânia. O mandado de prisão havia sido expedido pela 2ª Vara de Crimes Dolosos contra Vida.

Segundo os policiais, Eduardo disse que estava “surpreso” com a prisão.

O crime ocorreu no dia 30 de novembro de 2015, na BR-060, em Goiânia. Na época, de acordo com a polícia, ela pedalava, acompanhada do marido e de um amigo, quando uma dupla se aproximou, sendo Pedro Henrique Domingos de Jesus Félix em uma motocicleta e um menor em uma bicicleta. Segundo as investigações, Pedro atirou, atingindo a cabeça da mulher.

Prisão de suspeitos

 

No dia 2 de dezembro daquele ano, a Polícia Militar prendeu três suspeitos pelo crimes e cime e, na ocasião , o caso foi tratado com latrocínio . Um dos detidos, Pedro Henrique Domingos de Jesus Félix, que na época tinha 18 anos, chegou a gravar um vídeo, no qual confessou que matoy Cibelle com a ajuda de um adolescente.

O inquérito policial foi concluído dez dias após o crime e remetido ao Ministério Público que, por sua vez, denunciou Pedro Henrique por latrocínio e o adolescente por ato infracional análogo ao latrocínio. O terceiro detido foi retirado do processo, pois ficou comprovado que ele não tinha envolvimento no caso.

Reviravolta

 

O caso seguia tramitando no Judiciário quando, cerca de dois meses após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil recebeu o laudo cadavérico de Cibelle. De acordo com o delegado Thiago Martimiano, que iria remeter o documento para ser anexado ao processo, lesões antigas constatadas no corpo da vítima levantaram a suspeita de que ela era vítima de espancamento.

“Abri um procedimento para apurar informações, já que o processo já estava no Judiciário. O laudo mostrava que a Cibelle tinha hematomas nas coxas, pescoço, costas. Algumas das lesões eram antigas. Aí, ouvimos o relato de amigos dela, e até colegas de trabalho, que contaram que ela sempre apresentava marcas pelo corpo, muitas vezes usava roupas de mangas compridas para escondê-las”, contou.

Na época, o delegado foi ouvir novamente Pedro Henrique, que mudou a versão inicial e contou que tinha sido contratado pelo marido da vítima para cometer o crime.

“Ele contou que o Eduardo foi até a casa dele em um Honda City branco, exatamente igual ao carro de Cibelle, e ofereceu R$ 30 mil para que ele matasse a mulher. Deste valor, o marido deu R$ 5 mil de entrada e ficou de passar o restante depois. Porém, como nunca pagou, Pedro Henrique decidiu contar a verdade”, relata.

Segundo Martimiano, Pedro Henrique também confessou que aliciou o menor, com a promessa de repassar parte do dinheiro depois. “Ouvimos também o adolescente, que confirmou toda a história. No entanto, ele nunca chegou a receber nenhuma quantia”.

Com base no laudo cadavérico e com os novos depoimentos dos suspeitos, o delegado ouviu o marido de Cibelle. “Ele negou tudo, disse que não sabia de nada disso e que ela tinha sido vítima de roubo”, contou.

O delegado reuniu as informações e apresentou ao Ministério Público, que entendeu que Cibelle foi vítima de homicídio e não de latrocínio. O caso foi, então, remetido à Vara de Crimes Dolosos contra a Vida. No fim de novembro deste ano, foram denunciados por homicídio qualificado Pedro Henrique, como o autor do tiro que matou a mulher, o adolescente, por ter participado do ato, e Eduardo, como o mandante do crime.

Motivação

 

O delegado Thiago Martiminiano diz que as investigações mostraram que o relacionamento de Cibelle e o marido era conturbado. Porém, para ele, o advogado mandou matar a mulher por interesses financeiros.

“Depois da morte dela, ele recebeu cerca de R$ 50 mil do seguro de vida dela. Além disso, ela tinha uma herança, que era um dinheiro de uma indenização da morte do pai dela, que foi atropelado. Ele também ficou com o carro da mulher e ainda exigiu dinheiro da família da vítima para deixar a casa em que vivia com ela. Tudo isso mostra que ele tinha interesses”, afirmou.

Além disso, o delegado diz que Eduardo era muito ciumento. “Ele desconfiava da Cibelle, achava que ela podia ter algum relacionamento com um amigo de pedal, então, a seguiu várias vezes durante os passeios. Ela já tinha relatado aos amigos a situação e, inclusive, um dia antes de ser morta, fez uma postagem em rede social sobre violência doméstica”, disse.

 

Vídeo pedindo justiça

 

O advogado deu uma entrevista na época do crime ,em 2015 , pedindo " Justiça". Eduardo falou sobre a morte da esposa no dia 3 de dezembro daquele ano, ocasião em que três pessoas tinham sido detidas pelo crime, três dias após a morte da esposa.

 

"O que a gente pode esperar dos homens é a justiça e eu creio também que Deus vai entrar e fazer a justiça dele também", afirmou Eduardo.



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